sábado, 30 de junho de 2012

Novo tratamento para Leucemia Linfóide Aguda recidivada e refratária

A prestigiada revista Lancet Oncology publicou recentemente o resultado de um ensaio clínico fase II que avaliou um novo tratamento em pacientes com LLA recidivada, refratária a outros tratamentos. Trata-se do inotuzumab ozogamicina, um anticorpo monoclonal dirigido contra a proteína transmembrana CD22, conjugado com a caliqueamicina, um antibiótico citotóxico. A caliqueamicina já foi utilizada em outra terapia-alvo em pacientes com leucemias, o gemtuzumab ozogamicina (Mylotarg - Wyeth), um anticorpo monoclonal conjugado com o antibiótico que tem como alvo a molécula CD33. Enquanto o CD33 é encontrado na superfície de células de linhagem mielóide, o CD22 é expressado principalmente por linfócitos B maduros, sendo linhagem-específico. O Mylotarg, usado no tratamento da Leucemia Mielóide Aguda entre 2000 e 2010, foi retirado do mercado pela Wyeth a pedido do FDA, quando saíram os resultados de um ensaio clínico fase III (SWOG S0106), o qual mostrou uma mortalidade inaceitável nos pacientes tratados com a droga.
O presente estudo testou o inotuzumab ozogamicina em 49 pacientes, adultos e crianças, com LLA recidivada e refratária. Parte dos pacientes já sofrera transplante de células progenitoras (stem cells). A mediana de sobrevida dos pacientes foi de 5,1 meses (7,9 meses nos pacientes que responderam). Vinte e oito pacientes alcançaram remissão medular completa, 16 pacientes tiveram remissão citogenética completa e 17 tiveram pesquisa de doença residual mínima negativa. Um total de 32 pacientes faleceu e o restante estava em seguimento. Apesar da mediana de sobrevida reduzida, o grupo de pacientes do ensaio era pesadamente tratado, com pelo menos 2 tratamentos anteriores. Pacientes com LLA com recidiva múltipla usualmente têm sobrevida muito curta ( mediana de 2-3 meses). O grupo que realizou o ensaio, do MD Anderson Cancer Center e financiado pela Pfizer, considera que o inotuzumab ozogamicina é muito promissor e merece ser ensaiado num número maior de pacientes, num desenho fase III.

Novidade no Tratamento de Osteossarcoma: quando a toxicidade é "melhor"

O objetivo do tratamento oncológico é obter a maior sobrevida possível para os pacientes. Em última análise, procura-se curar o máximo número de pacientes. Adicionalmente, procura-se minimizar a toxicidade dos esquemas de tratamento utilizados, ou reduzindo doses ou usando drogas para prevenir efeitos adversos. Esses têm sido, também, os objetivos gerais do tratamento dos pacientes com osteossarcoma, o mais comum dos tumores ósseos da infância e adolescência. Resultados recentemente publicados, porém, podem indicar que os efeitos colaterais da terapia para osteossarcoma podem ser, de certa forma, "bem vindos".
O grupo cooperativo europeu para o tratamento do osteossarcoma, European Osteosarcoma Intergroup (EOI) realizou três ensaios clínicos controlados e randomizados entre 1982 e 2002, incluindo 1067 pacientes, criando o maior grupo de pacientes com osteossarcoma seguidos prospectivamente. Os autores do estudo em questão usaram as informações combinadas de 533 pacientes que foram tratados com o "tratamento padrão" (grupo controle) nestes ensaios. O maior grau de toxicidade que cada paciente experimentou foi usado nos estudos comparativos. Os autores realizaram uma análise retrospectiva  comparando a toxicidade com a sobrevida e com a resposta à quimioterapia (avaliada na cirurgia, realizada após a quimioterapia).
Os resultados indicam que os pacientes que experimentaram mucosite grave (grau 3-4) tiveram melhor sobrevida que os demais (quase 75% com mucosite grave tiveram sobrevida prolongada, contra menos de 50% daqueles que não tiveram mucosite). Também tiveram impacto favorável na sobrevida a ocorrência de neuropatia periférica e trombocitopenia. A ocorrência de efeitos colaterais também teve impacto favorável na sobrevida livre de progressão.
A relação entre toxicidade e prognóstico em pacientes com câncer não é nova. Desde a década de 80, evidências acumulam-se mostrando que a toxicidade hematológica, especialmente a neutropenia, têm valor prognóstico em pacientes com câncer de mama, ovário, estômago e pulmão, além de crianças com leucemia linfóide aguda. A novidade neste trabalho foi a comprovação da associação da toxicidade da quimioterapia com o prognóstico em pacientes com osteossarcoma, além do papel mais importante da toxicidade não hematológica, verificada pela primeira vez. Por quê ocorre esta associação? Supostamente, pacientes que metabolizam mais rápido os quimioterápicos, ou são relativamente resistentes a seus efeitos, podem apresentar um menor efeito antitumoral do tratamento. Muito pouco é conhecido sobre a variação de resposta e metabolismo à quimioterapia entre os pacientes com osteossarcoma. Existem estudos de farmacogenética em andamento, os quais podem esclarecer o papel da variação individual na resposta ao tratamento em pacientes com osteossarcoma. No futuro, será possível individualizar as doses e esquemas de tratamento para cada paciente, baseado em seu perfil farmacogenético, uma conquista que é chamada genericamente de "medicina personalizada".

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